terça-feira, 11 de setembro de 2012

(nova)mente

Sempre pensei nos outros primeiro, sempre ajudei quem precisou e acabei por me foder. O que eu quero dizer, é que as pessoas conhecem sempre o meu melhor lado, o lado que diz piadas estúpidas e faz todos rir, o que está sempre bem disposto, o que nunca tem problemas com nada. É os "meus amigos" acham que está sempre tudo bem comigo, que eu sou de ferro. É totalmente mentira. O que eles não sabem, é que eu choro quase todas as noites, nem sei bem porquê. Adolescência... Talvez por causa das discussões em casa, talvez por ter perdido quem amo. Ou talvez pelo simples facto de ter uma vontade estupidamente absurda de chorar. Quando tudo parece perfeito, é quando as coisas estão piores. E não, não me venham com a história que o dinheiro traz felicidade, deixem-se de clichés. O dinheiro não compra  um amor perdido, um casamento falhado ou alguém que perdemos. Traz, digamos... Alegria, mas temporária. Porque depois, depois tudo volta novamente e a cabeça pesa cada vez mais. Começam os pensamentos "E se eu não existisse mais?", "E se eu tentasse noutra vida, noutro lugar?". Dantes não conseguia entender o porquê de uma pessoa querer por fim à sua vida, querer desistir. Não gosto de dizer suicídio, é uma palavra demasiado acentuada. Agora percebo, entendo. Há medida que o tempo passa, que nós ganhamos idade, a vida deixa de ser bela e perfeita. Começam a vir as responsabilidades, os problemas e as confusões. Deixamos de ser tratados bem pelo mundo. Os nossos pais começam a discutir conosco por tudo e por nada, porque já não somos mais o que eles queriam que nós fossemos, os perfeitos. Passamos a ser os que têm opinião e sabem pensar por si próprios. Mas o que eu não entendo mesmo, é porque é que para eles nós continuamos a ser os "bebés", os que nunca crescem e não aprendem o que é viver. Talvez eu daqui a uns anos entenda a sensação de ter um filho, ser mãe, o que é ter um ser humano que depende de mim, o que é ter de vê-lo agir mal, ser magoado, chorar. Ou talvez não saiba o que é isso. Não costumo pensar no futuro porque tenho tendência a ficar presa no passado ou a viver o presente. Eu sei que pelo que estou a passar seja muito provavelmente mais uma má fase, mais uma lição. E sinceramente não preciso de alguém que me diga "Vai ficar tudo bem, tu vais conseguir ultrapassar isso". Estou farta dessa conversa de merda, não é nenhuma novidade, sei perfeitamente que vou ficar bem e que vou conseguir ultrapassar isto. Eu preciso de alguém que esteja comigo, que me agarre e não me deixe ir, que me abrace, mê dê beijinhos na testa. Que me diga ao ouvido "Estou contigo, aconteça o que acontecer, venha quem vier". É disso que eu preciso, mais nada. É pedir muito?

Sem comentários:

Enviar um comentário