
Está imenso frio lá fora, mas tu feito parvo, decidis-te vir bater á minha porta ás 3 da manhã. És louco. Louco por mim. Claramente que eu estava a dormir que nem uma pedra e nem te disse nada. Foste embora, todo encharcado. De manhã, vejo as tuas chamadas, vim a saber que me tinhas vindo pedir desculpa, e que agora estavas cravado numa cama de hospital porque foste atropelado. Sinto-me culpada, afinal, foi por mim que isso aconteceu. Quando cheguei, escorreu-te uma lágrima pela cara abaixo. Choravas como um bebé. Mas choravas em silêncio, coisa que nunca fizes-te. Nunca te vi chorar, tu próprio me dizias que quem chora são os fracos, os inúteis e os estúpidos. Mas naquele dia, tu estavas a chorar em silêncio, no meu ombro. Eu só pensava, foda-se, o que é que eu fiz para merecer um homem como tu, diferente dos outros filhos-da-puta, que só me iludiam com flores de plástico. Devia gostar de ti, mas não gosto. Depois de tudo o que se passou entre nós, eu nem sequer te amo. Nem sequer te olhei nos olhos, coragem de merda. Tentas-te encontrar os meus lábios, mas eu recusei, e disse-te ao ouvido, descansa. Não disses-te nada. É esse o teu problema, nunca dizes nada, acumulas tudo dentro de ti, e fechas-te como uma concha. Tu bem sabes que eu não te amo, mas fazes tudo para me agradar. És um lutador, coisa que eu nunca fui, desisto facilmente dos meus objectivos. Desde aquela noite, que me choras-te no ombro, que eu não consigo dormir, a tua imagem vêm-me á cabeça vezes sem conta, e derrepente, dou por mim a chorar. Acho que estou a entrar numa fase de depressão. Desde esse dia de chuva, que a minha consciência se tornou um pesadelo. Deixei de pensar em mim, para pensar em ti. Foi desde essa noite, que eu te passei a amar, nem sei porquê. Foi desde aí que deixas-te de me ligar. Que deixas-te de vir a minha casa todos os dias, dar-me um beijinho e perguntar como eu estava. A grande verdade, é que eu estava mal habituada. Sempre me deste de tudo, e todos os dias á hora do costume, lá estavas tu em minha casa. Já nem sei porque motivo tu me vieste pedir desculpa. Liguei-te vezes sem conta, deixei mensagens, fui bater-te á porta. E nada. Absolutamente nada. Agora percebo, o que te fazia. Fazia-te mal, e tu nunca deixas-te de me falar, era preciso uma paciência de padre para aturar o que eu te fazia. Passou uma semana depois disso, e nada. Precisava de saber como estavas e fiz uma espera á tua porta. Estava gelada, a tremer. Mas esperei até que chegasses. Acolhes-te-me em tua casa. Estava tudo de pantanas. Era muito pior que a revolução do 25 de Abril. Puseste-me uma manta quente nas costas, e deste-me um grande abraço, como se não me visses á anos. Os nossos lábios finalmente encontraram-se como por magia, a tua boca sabia a whisky, tinhas estado a beber. A noite prolongou-se, uma noite de chuva seca. Acordei ao teu lado, olhei-te, já estavas acordado. Agarrei-me a ti e comecei a chorar. Apenas me disses-te: quem chora, são os fortes, os génios e os corajosos. Mas mandaste-me embora, nem explicas-te. Passei pela praça, e lembrei-me dos beijos no banco, da mão dada, dos abraços que me davas. Estarei a ficar louca? Algo me agarrou o braço, e quando me virei, lá estavas tu, especado á minha frente. Fechei os olhos lentamente, e senti os teus lábios nos meus, uma sensação única. Senti um arrepio a percorrer cada traço do meu corpo, fiquei paralisada. Mandas-me embora, segues-me, e beijas-me em público, no meio da praça; bonito serviço, sim senhora. Sabias que eu não gostava de tanto romantismo, mas mesmo assim, vies-te atrás de mim. Estás literalmente bêbedo, estou a dar um desconto. Preciso que me ames como eu te amo, preciso que digas que me amas, preciso de ti a meu lado, preciso apenas... Preciso de ti.
WOOW ! Ainda tu vens reinar cá para o meu lado que eu sei escrever :O És um tesouro Vera, nunca vires costas ao que realmente queres. Com os olhos a darem sinal do cansaço que o meu corpo sente, não desisto da minha vigília vida solitária. Tenho os olhos raiados de sangue das noites sem conta, as quais já não durmo. Angústias, são mil. Mas nem isso me faz desistir (!) Quando estamos apaixonados olhamos a nossa volta e tudo parece diferente, no entanto, não foi o que está em nosso redor que se modificou. Foi o nosso estado interior. A alma eleva-se para junto da lua e das estrelas. E não há nada que possa ser feito senão desafiar o desafio. É por isso que nos existimos. Força
ResponderEliminarEste texto, está muito bem elaborado. Sabes escolher as palavras, e tens um dom: escrever.
ResponderEliminarAna Soraia